segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A nossa "meia dose"

Faz hoje 10 anos que apareceu na nossa vida uma "meia dose" linda! O João nasceu a meio da manhã, lindo de morrer, mas muito pequenino - 2,200 kg de gente, 46 cm e com bochechas côr de rosa mas sem mais carninha nenhuma. O médico quando anunciou o nascimento aos familiares referiu-se a ele como "meia dose", e este nome ficou para sempre na minha memória. As suas bochechas enganavam e faziam parecer que era um rapagão, de tal forma que me lembro que o médico até o mandou pesar outra vez porque não acreditou no peso que lhe disseram.
Foi um bébé muito desejado e pelo qual estivemos à espera durante muito tempo. Era muito bonzinho, muito calmo, não chorava quase nada (tirando quando ficava furioso e prendia a respiração até ficar roxo!). Gostava de estar deitado na espreguiçadeira na sala, a olhar para tudo e para todos. Acho que ele estava a absorver tudo e que mais tarde utilizou todo esse capital de conhecimento para se tornar no "cromo único" que é hoje. De tanto nos observar acho que nos conhece, por dentro e por fora.
É o meu filho agridoce. Meigo, ternurento, amigo do seu amigo. Que intui quando as outras pessoas que o rodeiam estão em baixo e tristinhas e que sabe logo dar uma "marradinha", qual gato meigo. Que faz uma festa quando mais precisamos, que dá uns abraços do tamanho do mundo. Que conforta qualquer um, sem ter que recorrer a palavras. Só o seu olhar tranquilo e as suas festas bastam para ganharmos o dia. Mas também "agri", porque se "passa" com muito pouco, porque a sua inteligência fantástica aliada a uma língua afiada conseguem atingir-nos de forma quase letal. Acutilante como mais nenhum, com um humor arrasador que nos surpreende sempre, de todos os meus filhos é o único que me sabe "tirar do sério".
Costumo dizer que ele começou a dar trabalho 3 anos antes de nascer. Que depois de tanto trabalho para nascer, veio refinado.
O meu menino está a crescer, e dentro em breve vai ganhar asas. Deus permita que os seus voos sejam sempre bem guiados, que arrisque mas que não caia. Ou que, se cair, se saiba levantar, erguer a cabeça e continuar a caminhar.
Hoje não vamos fazer nada de especial. Porque ele pura e simplesmente não quer. Ontem estiveram 2 novos amigos cá em casa a brincar com ele, num novo jogo que recebeu de presente. Hoje foi à escola e quer ir jantar fora ... ao McDonalds. Comprei um bolo de aniversário, e vamos todos cantar-lhe os parabéns. Quando chegarmos a Lisboa, fazemos nova festa.
Peço a Deus, e a Nossa Senhora que lhe emprestou o nome de Maria, que o protejam. O meu menino é de ouro. E por muito que cresça vai ser sempre o meu Joãozinho, que dormia comigo na cama muito quietinho e quentinho, com bochechas cor de rosa e agarrado a uma almofadinha (que ainda hoje tem e que está sempre com ele).
Parabéns João. E obrigado por seres quem és. Obrigada por existires. Obrigada por seres meu filho. Se me dessem a escolher se queria mudar alguma coisa em ti, não mudava nada! És o maior! Mesmo com os teus ataques de doideira. 

2 comentários:

  1. Como diz o Marco Tuaino "It's not the size of the dog in the fight, it's the size of the fight in the dog."

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  2. E depois deste texto fica esclarecida a origem da veia poética do Joao! Parabéns! (para a Mae, para o pai, para o próprio e para os manos!)

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