Hoje vai ser o primeiro dia que o pardalito João vai dar uso às chuteiras novas. Mas não é isso que me deixa em ansias mas sim o facto de ser a primeira vez que vai a uma festa de aniversário de um colega da escola. O miúdo chama-se Pedro e é dos colegas que ele mais fala. Já conheci a Mãe dele que é muito simpática. Vai buscá-los a todos ao colégio e depois leva-os para um clube no Leme para os "soltar" e eles jogarem futebol. Ontem à noite, quando lhe estava a fazer a mochila, disse-me logo que tinha que levar a camisola oficial do Benfica. As minhas ansias, totalmente desnecessárias certamente, prendem-se com o facto de ser a primeira vez que o João sai "do ninho" do colégio e de casa para ir a uma festa de aniversário. Mas é um disparate da minha parte. Mais, acho que só estou assim por ser o João - com o Kiko ou com o Mi nem sequer perderia 1 minuto a pensar nisso. Mas o meu pardalito João demora mais tempo a fazer novos contactos, a arriscar-se a fazer novos voos e pela primeira vez desde que chegamos ao Rio eu não vou estar lá para amparar. Os outros dois jogam-se ao ar sem temores, certos que sabem voar e se que tremerem não há crise, porque tremem, tentam outravez e dessa vez não caiem. O João é um perfeccionista, que só dá um passo depois de estudar o terreno com muita atenção. Tem horror ao falhanço, em não ser perfeito. Será incapaz de se revoltar se não jogar ou se ficar no banco. Será incapaz de dizer que quer jogar se vir que os outros jogam melhor do que ele. Tudo porque quer ser perfeito e porque não admite falhar. Mas como ele ia cheio de vontade, o miudo é muito simpático com ele e a Mãe do miúdo vai lá estar, só tenho mesmo é que aguardar descansada e estar lá às 17h30 em ponto para o ir buscar.
O tempo hoje melhorou e está sol. Há um ventinho o que até é bom. Mas espero que o vento páre e amanhã consiga ir para a praia. O Kiko tem teste logo às 7h00 da matina (!) e ontem, se um sopro só e enquanto eu servia o arroz ao jantar, já me explicou como vai ser o sábado dele: "Mãe, amanhã tenho um dia óptimo: vou fazer o teste, volto a casa a meio da manhã para vir vestir o fato de banho, saio logo de seguida para ir para a praia, não almoço com vocês mas com os meus amigos, ok Mãe?, venho ao fim da tarde, tomo um duche, o pai do XPTO vem-me buscar para ir para uma festa na Barra e depois a seguir a essa festa venho para a tal outra festa no Jockey Club da Gávea. Ok Mãe?". Tentem ler esta frase bem depressinha, porque foi assim, bem rápido, que ele a proferiu. Fiquei a olhar para ele, com a colher do arroz pendurada no ar ... pedi para repetir a última parte, a das festas. "Oh Mãe, não se vai pôr a perguntar quem são as pessoas donas da festa! Nem quem são os Pais e as Mães deles!A Mãe não conhece ninguém! Mas fique descansada que vou com os meus amigos e arranjo boleias com os Pais deles". Servi a colher de arroz. E disse que sim. Não tinha grande hipótese, certo? Ele tem a cabeça no lugar, nunca me deu razões para ficar atormentada, é super responsável, teve boas notas e está integrado (que era o que eu queria), é grande e sabe-se defender. Tenho que o deixar ir, não há qualquer razão para não o fazer. É deixá-lo voar e esperar que seja um voo calmo. No meios destas festas a única coisa boa é que os horários são diferentes de Portugal - tudo começa mais cedo e tudo acaba mais cedo. O meu "menino-homem" deve chegar a casa lá pelas 2h da manhã, o mais tardar.
O Mi também acho que tem uma festa de aniversário este fim-de-semana, mas sinceramente ainda não tive forças mentais para ir investigar. Se não nos der jeito acho que vou "perder" o convite .... Se ele sabe mata-me (quer ir a todas, seja de meninos ou menina). "Mãe as festa cá são brutais, têm imensas brincadeiras, muitos doces e acabam à noite". E respondo eu, "Mas tu sabes de quem é a festa? Os teus amigos vão?", "Não sei Mãe, mas são brutais, têm imensas brincadeiras, muitos doces, acabam à noite e eu quero ir!". Enfim ....
Anteontem recebi umas papeladas de Lisboa que o meu Pai foi tratar por mim. A acompanhar os documentos veio um DVD com o meu casamento! Amei! Sempre digo que foi o dia mais feliz da minha vida e vendo as imagens percebo o porquê. Estava toda a gente super bem disposta, tudo a dançar. Havia muitos amigos nossos, que são do género de fazer a festa, atirar os foguetes e apanhar as canas! E os mais velhos que lá estavam também alinharam na maluqueira. A missa foi linda, o coro um primor (o que não foi fácil, tendo em conta os ensaios prévios lá em casa, que não correram assim tão bem). E vi a minha avó Palmira linda, alegre, a imagem perfeita de como me recordo dela. E muitas outras pessoas que já estão com os anjinhos no Céu. Todos bem dispostos.
Bom, vou acordar o Mi que é um dorminhoco terrível e não tarda nada tem que almoçar para ir para o colégio. Depois conto como correu a aventura do João.
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