Ontem fui a uma reunião de Pais da sala do Mi. Quando lá cheguei achei que ia ser igualizinha a uma reunião de Pais de Lisboa - 95% das presenças eram de Mães e não de Pais. Continuo sinceramente sem perceber porque é que se chamam reunião de Pais, se são as Mães, deste e do outro lado do oceano, que vão a estas reuniões. Mas depois de começar a reunião percebi que há diferenças grandes. E essas diferenças são o ADN de cada país, de cada povo, de cada cultura. Em Lisboa as reuniões demoravam no máximo 50 minutos e cheguei a ter uma durante um jogo do Mundial com Portugal a jogar. Eram acertivas, falava-se do que os meninos andavam a aprender, dizia-se quais as matérias dos meses seguintes, recebiam-se todas as instruções, e acabavam. E as Mães e a professora ficavam contentes com o resultado da reunião. Aqui não. A professora começou por dizer que amava os nossos filhos. Que eles eram lindos e umas pessoas adoráveis. Depois entregou-nos uma cartinha feita por eles em que os próprios explicavam a experiência que tinham vivido no colégio durante o ano. E todos tivemos que ler alto o que os miúdos escreveram: amo o colégio, amo a minha professora, amo os meus amigos, amo o recreio, amo brincar, amo pintar, amo os Tios (chamam tios aos auxiliares de educação), amo meu uniforme, amo aprender, amei estudar os bichos, amei a aula de arte. Tudo ... AMO. E acho extraordinário, e tenho até uma ponta de inveja, a facilidade e o à vontade em dizer, de uma forma sincera e do fundo do coração, AMO. Tão diferente dos portugueses, que parecem ter medo em expressar e verbalizar os seus sentimentos. Eles desde pequeninos que vivem com a palavra amor e que gostam da utilizar. Em Portugal não é assim. Gostam, e já vai com sorte. Ou gostam muito. Mas amar é mais do que gostar muito. É ter prazer em gostar muito.
Sinceramente achei lindo, até porque muitos das Mães acrescentavam que também amavam a Sílvia (a professora) e que lhe agradeciam do fundo do coração o amor que ela tinha dado aos filhos ao longo do mês. Ou seja, estivemos mais de uma hora a ouvir e a trocar juras de amor. Fui a última a falar e no meu estado de espanto perante aquilo que estava a ouvir fui ... portuguesa e só consegui agradecer a forma acolhedora com que o Mi foi recebido, pela Sílvia e pelos colegas. Senti-me gélida, fria, mas não consegui verbalizar "Amo a Silvia e amo os vossos filhos por eles amarem o meu".
A caminho de casa lembrei-me que se calhar a minha reacção se deve à Sra. D. Margarida (a minha famosa professora da 4ª classe, coxa, salazarista até à ponta dos cabelos e que me ensinou muito de português, matemática e história mas que era uma perfeita nulidade em termos afectivos). A Sra. D. Margarida tinha uma frase histórica, que gritava da ponta da sala enquanto batia com a bengala no chão: de cada vez que um de nós deixava escapar algo com "Eu adorava ir ...." ela imediatamente, com a sua voz de trovão dizia "Adorar só a Deus. A menina tenha tento na língua". Quando a frase começava por "Quero ir à casa de banho" a resposta vinha "Querer só a Deus, a menina quando muito pode dizer Queria ir à casa de banho". Agora imaginem qual seria a reacção se ela ouvisse dizer "Amo você"! Teria uma apoplexia certamente. Mas de facto acho que só verbalizamos a palavra AMO com pessoas que nos estão extremamente próximas - com namorado/marido ou com filhos. Acho que nunca disse a mais ninguém que os amava. Que adoro sim - os meus Pais, os meus Avós, os meus sobrinhos, aos meus amigos. Agora, amo? Que estupidez, não é? Mas se é o que sinto, porque não dizê-lo? Pois então: Mãe, AMO-A. Pai, AMO-O. Tó, AMO-TE. Mia, Né e Guigas, AMO-VOS. A todos os que têm pachorra para ir lendo este blogue, AMO-VOS!
"Pôxa", tou bem mais feliz!
Claro que se a reunião tivesse demorado menos tempo também teria amado!
Hoje fui andar de manhã, entre as 7h00 e as 9h00. Custou-me! Fiz gazeta uns dias e claro, fiquei cansada. Mas custa-me sair da cama. E há certas coisas que não mudam com a idade e o desporto sempre foi uma ... dificuldade. Mas depois sabe-me bem. Tenho que me obrigar a ir mais vezes. Mas acho que nunca vou dizer "Amo caminhar", quando muito "Gosto de caminhar".
Quando cheguei a casa ligaram do colégio porque o João voltou a ter dores de barriga. Fui buscá-lo e já falei para o pediatra. Vamos lá ver se ainda lá consigo ir hoje. Continuo a achar que é stress (eu na época de exames tinha dores horríveis nos joelhos e até se chegou a pensar que era reumatismo! Qual quê, era nervoso!). Mas pode não ser e convém estarmos 100% certos que não é nada de especial. Serão lombrigas?
E pronto. Acabo por aqui a minha crónica de hoje. E pensem no que escrevi acima: a quantas pessoas vocês nunca disseram que as amam e que já deviam ter dito?
E no's amamos suas crónicas! São super bacanas mesmo!
ResponderEliminarBeijos a todos, no's amamos vocês!