Só para terminar o tema "Carnaval" acrescento que no passado Sábado lá fomos desfilar novamente, só que desta vez já como campeões consangrados. Foi giro e correu tudo bem. Não tivemos as mordomias do Camarote da Devassa mas fomos convidados para o Camarote da Unidos da Tijuca, o que também foi muito bom.
E feito este relato, termina o Carnaval. Pelo menos para mim. Desconfio que ainda existe a possibilidade de existirem blocos de rua no próximo fim de semana ...
Mas a minha crónica de hoje é sobre algo de que tenho muita saudade: o silêncio! Adoro estar sozinha em casa, em silêncio. Ou estar em casa, mesmo que com mais gente, mas em silêncio. Desde que o Miguel nasceu o barulho faz-me confusão, sabe-se lá porquê. Sou incapaz de ouvir televisão com som alto e a maioria dos programas legendados são por mim assistidos sem som ... Não oiço música e passo a vida aos gritos (e grito para me conseguirem ouvir por cima dos outros ruídos) para baixarem o som da televisão, dos jogos de PC e de consolas.
Pois nesta terra não há silêncio! Claro que as janelas todas abertas, durante todo o dia, também não ajudam. Mas nem sequer 1 minuto de silêncio em 24 horas é de mais!
Moramos num 8º andar, de um prédio recuado face à rua. Mas o som dos carros, dos autocarros, dos arranjos nas ruas, das obras nos andares vizinhos, ..., é uma constante. Se juntarmos a isso 3 vozes a embirrar, então temos o cenário perfeito.
Nem de noite consigo estar em silêncio (a janela do quarto fica sempre toda aberta, por causa do calor, e por isso ouvem-se os barulhos da rua). Não adianta fechar a janela e abrir o ar condicionado porque este faz tanto barulho que parece que tenho uma broca ao lado da cama. Hoje a seguir ao almoço estava horrível !!! E descobri que a saudade de silêncio está num dos lugares do Top 5 das minhas saudades de Lisboa!
Já tentei sair de casa para ir "ouvir o silêncio". Mas desisti! Até na praia, de manhã cedo e junto ao mar (para fugir do barulho da estrada) não consigo encontrar silêncio - há sempre vendedores ambulantes a venderem gelados, biscoitos Globo, queijo coalho com oregãos, empadas, bikinis, chapéus de palha, piscinas de plástico, protectores solares, cangas, .... E tudo aos berros ... É certo que com uma voz simpática, cantada, super animada. E sempre com sorrisos na cara. Mas, caramba, podiam apenas passar e não falar!
Hoje fiz a minha incursão quinzenal ao supermercado de Botafogo. Fui levar os miúdos de carro ao colégio e por isso entrei no Prizunic às 7h da manhã. Ainda tive uma réstia de esperança de poder estar com música ambiente calminha ... Esqueci-me foi da política deles de divulgação das promoções da loja. Há um tipo agarrado a um microfone, durante todo o santo dia, que vai anunciando qual o produto que vai estar com queda de preço nos 3 minutos seguintes. Vale a pena ver aquela malta toda a correr, de 3 em 3 minutos, para a secção/prateleira que tem o dito desconto. Fosse feito em silêncio e eu até achava engraçado. Mas ainda agora sinto a voz metálica do gajo a dizer "Meus amigos, agora estou no corredor do azeite. Nos próximos 3 minutos o azeite Gallo está "na promoção". Descontos de 50 centavos. Mas é só agora. E já está passando o tempo. Bora lá galera! Já só falta 2,5 minutos ..." E repete isto durante 3 minutos ... sem descanso. Depois cala-se durante um bocadinho (o tempo de atravessar para outro lado da loja, mas aonde a música - samba - ambiente arranca) e recomeça "Meus amigos, agora estou no corredor do leite. Nos próximos 3 minutos ..."
A quem me visita peço sempre que me tragam Nesquik, Kandoos, .... Será que conseguem embalar 2 minutos de silêncio e trazerem-me também? Muito agradecida!
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