segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Carnaval - parte 1

O Carnaval no Rio deve durar dois meses! Começou no início de Fevereiro e ainda não há data para acabar.

Acho díficil descrever o que é o Carnaval no Rio de Janeiro. A cidade e as pessoas transformam-se de tal maneira que só mesmo visto, contado não dá para acreditar.
Nos últimos anos assistiu-se a um aumento do nº de pessoas na rua a comemorarem o Carnaval. São os chamados blocos de rua. Há em todo o lado, em qualquer bairro que se vá, a qualquer hora. E são milhares, ou milhões de pessoas, nas ruas.
A nossa casa fica no canal de Alah, na divisória entre o Leblon e Ipanema. Não temos nenhum bloco que nos passe de baixo da janela, mas vimos da varanda as pessoas a passarem para os blocos.
Sempre achei (sabe-se lá porquê!) que os cariocas não se mascaravam e que iam apenas "meio nus" para as ruas sambar. Errado! A grande maioria das pessoas está mascarada. Com "pouca máscara" porque o calor é muito. Mas encontra-se de tudo. Há vendedores ambulantes a venderem cerveja (muita!), água, caipirinhas, enfeites e penas para a cabeça.
Mas o que é mais incrível é a quantidade de gente! Parece que está tudo na rua, tudo a dançar e a beber. É difícil de descrever.

No sábado fomos a um mini bloco (7.000 pessoas) na Gávea, com os miúdos. Eles não acharam grande graça, até porque estava imenso calor. Ontem fomos convidados para uma feijoada em Copacabana. Tudo animadissímo. Era ver os estrangeiros a tentarem sambar e com os olhos em bico para as sambistas. Não levámos carro porque na volta a ideia era apanhar um taxi (a Lei Seca não perdoa nem uma caipirinha a mais no Carnaval). Demorámos 2horas desde Copacabana até casa ... As multidões em toda Copacabana e Ipanema eram inacreditavéis. Tudo na rua aos pulos! Até os polícias, armados até aos dentes, pareciam fazer parte da festa. Iamos pela rua e de 50 em 50 m havia blocos de rua, ou apenas música e dança. Só visto, contado ninguém acredita.

No final de ano tinha visto 2 milhões de pessoas em Copacabana. Nunca tinha visto tanta gente junta. Pois imaginem o que é um bloco de rua, a desfilar no Centro do Rio, com 2,2 milhões de foliões! Foi o Bola Preta, famoso bloco do Rio, que este ano bateu o record de nº de pessoas. Imaginam 2,2 milhões de tipos, meio nús, meio mascarados, certamente com um indice de alcoolémia consideravel, aos pulos e a sambar, em pleno dia, com um calor húmido de 38º graus? Eu só mesmo imaginando, porque não tive (nem tenho) vontade/coragem de lá ir ver.

As ruas ficam todas sujas. Mas mal acabam os blocos avançam os catadores de latas e depois os guaris (são os nossos almeidas). Limpam tudo. E no dia seguinte passa novo bloco, e a cena repete-se. Estão previstos mais de 400 blocos durante o Carnaval para a cidade do Rio. Este ano colocaram mais casas de banho em toda a cidade. Porque a malta com tanta cerveja tem mais necessidade de fazer xixi ... Os chamados mijões (e mijonas!) foram este ano bastante perseguidos e muitos deles foram até presos. Acho que o cheiro na rua melhorou ...

Ontem à noite estive a ver na televisão o primeiro dia de desfile no Sambódromo. Ah, o Sambodromo teve obras de melhoramento e que só foram terminadas ... na passada sexta feira. Mas o importante é que terminaram. Isso faz-me lembrar a nossa Expo ... ninguém acreditava que fosse estar pronta e no dia ... abriu, prontinha! Os brasileiros herdaram esse nosso ADN de estar até à última da hora nos últimos retoques. Mas pelos vistos também herdaram a capacidade de desenrascar. Ou seja, começo a acreditar que de facto vai haver Campeonato do Mundo de Futebol e Olimpiadas nesta terra.

Mas dizia eu que estive a ver o desfile de ontem. Tinha que ver a concorrência! Já aprendi mais termos técnicos e quais os aspectos mais importantes de todo o processo. Hoje lá vamos nós! Somos os penúltimos a defilar (na Escola Unidos da Tijuca). Pelas minhas contas só devemos entrar na passarella lá pelas 4h00 AM ....... Mas essa parte será o tema da minha próxima crónica.

Para terminar só posso dizer que vale a pena vir aqui, nem que seja uma vez na vida, ver esta maluqueira toda!  É uma alegria contagiante. Um bocado bagunça. O normal nesta terra!

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