segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Aprender a tirar o melhor de cada dia

Em Lisboa fiz "uns cursos semanais" sobre como tirar o melhor de cada dia, como aprender a ver o "copo meio cheio" e não o "copo meio vazio". Hoje o dia amanheceu cinzento, o que me transtorna sempre. Se eu vivesse na Bélgica ou em Inglaterra iria de certeza viver em depressão profunda durante 300 dias por ano - e acreditem que nunca falei tão a sério nestas minhas crónicas.
Mas pensei em tudo o que tinha vindo a aprender e tentei reagir. E não é que me saí bem nesta árdua tarefa? Fiz duas coisas que me animaram e uma terceira caiu-me do céu (mais concretamente no email) à noite.

Mas vamos por partes:
1. Sou uma historiadora frustrada. Sei que tenho uma visão idílica da História e que se calhar teria adorado ter tirado o curso mas seria profundamente infeliz com a profissão. Mas realmente gosto muito de História. Em Lisboa pensava em que um dia quando me reformasse que gostaria de voltar à faculdade e fazer o curso. Neste momento não estou reformada, embora pareça ... Por isso decidi ir investigar o que poderia fazer por estas bandas. Na PUC (Pontificia Universidade Católica) existe um departamento de História e decidi inscrever-me num curso. Infelizmente o que eu mais gostava (que era de História de Arte) tem um horário muito pesado e sendo uma pós graduação a sério teria de certeza exames (odeio exames e testes ... mas explicar isso daria outra crónica ...). Por isso decidi-me por um curso mais leve, de menos tempo e com aulas só uma vez por semana. Começo no dia 12 de Março um curso chamado "Reflexões sobre a História da Infância no Brasil". Parece ser interessante e o que li da sinopse do mesmo acho que vai valer a pena. No "público alvo" do curso não fala em licenciadas em gestão mas sim em "estudantes de história, pedagogia, serviço social e outras áreas de ciências humanas". Não sou de nenhuma destas áreas, mas não estou minimamente preocupada. Será só uma vez por semana, ao final da tarde, e por uns escassos 2,5 meses. Se eu gostar então logo avanço para coisas mais complicadas. Já transmiti cá em casa este meu "feito" mas ninguém ligou nenhuma ... será que sou um "bicho" assim tão esquisito que estas almas não me entendem? Acho que só agora, que tenho mais tempo para estar mais em contacto com estes 4 seres, é que me começo a aperceber nas grandes e irreparáveis diferenças entre o bico-homem e o bicho-mulher!

2. Fui a uma livraria e decidi esquecer que os meus filhos estavam em casa e perdi-me no meio dos livros. Li excertos de livros, zanzei por ali sem pressas e sem horas contadas. Estive algumas duas horas por lá e no final decidi-me por trazer um primeiro volume (de 5) da História do Brasil e 4 romances do Machado de Assis. Li algures que tal como é fundamental ler a obra do Eça de Queiroz em Portugal, é fundamental ler Machado de Assis, se se quiser conhecer um pouco de literatura brasileira. Por isso, e porque adoro o Eça, acho que tenho que dar uma oportunidade ao Machado de Assis e dar este primeiro mergulho na literatura brasileira. Já li obras do Jorge Amado mas sinceramente já foi há tanto tempo que nem me lembro bem. E fiquei toda contente porque consegui versões bem baratinhas.
Quando cheguei a casa os miúdos nem tinham dado pela minha falta - o Kiko tinha ido à explicação de matemática e os outros dois tinham cá em casa amigos para brincar. E acho que tenho que me habituar a esta ideia - os miúdos cada vez mais não sentem a minha falta ... o que por um lado é bom, porque é sinal que eles estão a crescer, mas que por outro lado me dá um certo amargo de boca. Tenho que aprender a lidar com esta questão com mais ligeireza e sem me ressentir, porque ela não vai regredir. Porque a vida é assim mesmo - a vida deles é deles, e a minha é minha. E cada um tem obrigação em pensar na sua vida. Custa e dói um bocadinho... especialmente quando a nossa cabeça não anda muito ocupada, quando temos tempo para nos ressentir. E infelizmente, eu sou de me ressentir ...

3. Finalmente, e depois de me deliciar com mais um episódio da Anatomia de Grey (que AMO!), fui ao email e tinha uma mensagem da minha querida amiga Gioconda! Vou responder-te ao email, mas adorei recebê-lo! Foi a cereja no topo do bolo e assim terminei o meu dia em beleza.

Este foi um dia que nasceu cinzento mas que consegui que ficasse mais ensolarado. Fico contente comigo mesma por ter provocado esta "mudança metereológica". É claro que se tivesse amanhecido com sol e calor nada disto teria acontecido e tinha ido "curtir uma praia", que continua a ser uma das coisas que mais gosto na vida e que mais feliz me deixa.

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